Da Admiração aos Ricos à Estigmatização dos Pobres: Lições de Adam Smith para a Polémica do Ministro da Educação
Dezembro 22, 2025A admiração cega pelos ricos e poderosos, essa armadilha sutil que Adam Smith desmascara na Teoria dos Sentimentos Morais, continua a corroer os alicerces da nossa sociedade, confundindo o brilho da fortuna com o fulgor da virtude verdadeira. No capítulo “Da corrupção de nossos sentimentos morais, provocada por essa disposição de admirar os ricos e grandes, e desprezar ou negligenciar os de condição pobre ou mesquinha”, Smith pinta um retrato impiedoso: admiramos a ostentação dos grandes, toleramos os seus vícios com um sorriso cúmplice, enquanto desprezamos a pobreza honesta, como se a debilidade material fosse sinónimo de fraqueza moral. Essa corrupção dos sentimentos, necessária para sustentar hierarquias, mas devastadora para a ética colectiva, manifesta-se hoje nas redes sociais, onde influencers de iates e elites políticas posam como modelos. Ecoa aqui a polémica recente com o Ministro da Educação Fernando Alexandre, acusado de associar a degradação das residências estudantis e escolas à falta de “capacidade reivindicativa” dos alunos e famílias de classes baixas, que ocupam esses espaços públicos sem diversidade social, ilustrando como a adulação aos poderosos contamina políticas educativas e estigmatiza os mais vulneráveis.
Nas classes médias e inferiores, onde a honestidade ainda é a melhor política, Smith encontra um bálsamo: habilidades sólidas, aliadas a conduta prudente e justa, pavimentam o sucesso real, longe das cortes de adulação e falsidade. Proponho, pois, para um artigo incisivo, uma revolução do olhar, inspirada no “espectador imparcial” de Smith: cultivemos a empatia que julga acções pelo mérito, não pelo estatuto. No contexto laboral português, vale a pena exaltar quem negocia com justiça equitativa contra a ambição predatória das elites, e insistir em transparência e responsabilização para que a ascensão não seja comprada à custa da degradação moral.
Contra a moda corrupta
Imitemos menos os vícios da “moda” dos poderosos, como a devassidão pomposa e a intriga cortesã, e resgatemos a humilde modéstia que só o olhar atento reconhece como virtude. Exemplos como o Duque de Sully, ridicularizado pelos cortesãos mas chamado em momentos críticos, lembram que a verdadeira glória reside na estima ética, não na pompa efémera.
Que 2026 traga a todos vós, leitores reflexivos, festas felizes, repletas de verdadeira alegria, aquela que nasce da virtude partilhada, da justiça social e do respeito pelo mérito humano. Boas festas e um ano de corações imparciais!
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